Você já quis se anestesiar?
- Clarisse Brum Pires
- 14 de mai.
- 1 min de leitura

O diálogo do post de hoje toca em uma das nossas feridas mais profundas: o terror diante da vulnerabilidade que o amor exige. Na psicanálise, o medo de se entregar a uma relação não é visto como covardia, mas como um mecanismo de defesa contra a angústia do desamparo.
Freud dizia que nunca estamos tão desamparados quanto quando amamos. Por isso, a escolha pelo isolamento e pela anestesia é uma tentativa de controle. Se eu não sinto, o outro não pode me machucar. O problema é que o preço de não sentir a dor é deixar de sentir a própria vida.
E por que tantas vezes "torcemos para o desastre acontecer"?
Porque o ser humano tem muita dificuldade em lidar com a incerteza. Quando o "não saber" se a relação vai dar certo se torna mais agonizante do que a dor do fim, nosso inconsciente prefere precipitar o desastre. Implodir a relação é uma forma distorcida de retomar o controle, trocamos a angústia do suspense pela dor já conhecida do luto.
Como nos lembra Lacan, o amor sempre vai nos expor à nossa própria falta. Amar é suportar que somos incompletos e que não existe encaixe perfeito onde o outro preenche todos os nossos vazios.
Apostar no amor é um salto no escuro. A resposta não está em encontrar um amor sem riscos ou se blindar contra eles, mas em aprender a sustentar a incerteza.
E você? Tem escolhido o risco da aposta ou a segurança da anestesia?



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