Você já quis "apagar geral" para não sentir?
- Clarisse Brum Pires
- 14 de mai.
- 1 min de leitura

Na cena, Harry pede ao amigo uma droga que possa silenciar as vozes da sua cabeça, aquelas que o impedem de descansar. Em meio a uma crise de relacionamento, o luto pela morte da colega e a culpa por um acidente do passado, sua mente não consegue relaxar.
O amigo é direto, não existe droga para apagar isso. Ou melhor, até existe, mas o silenciamento químico funciona apenas como uma anestesia para angústia, que inevitavelmente insiste em retornar. Quando o efeito passa, a dor ressurge. E ela se manifesta porque tem algo a dizer.
Hoje, vivemos uma onda de automedicação e busca por soluções rápidas que visam calar os sintomas que nos desacomodam. Existe a ilusão de que eliminar o desconforto é o mesmo que alcançar a cura.
Mas, na psicanálise, entendemos que o que é reprimido, retorna. O inconsciente sempre encontra uma fresta para escapar, muitas vezes de formas ainda mais sintomáticas e dolorosas.
É por isso que o processo de análise é tão fundamental. Em vez de tentar "apagar" o sujeito, o processo analítico oferece a oportunidade de dar contorno à angústia e descobrir o que ela está tentando nos comunicar, podendo então dar a ela outros caminhos, diferentes da repressão ou do amortecimento.
Não se trata de silenciar a mente, mas de aprender a ouvir o que ela está tentando nos contar.
Você também já sentiu que sua mente precisava de um botão de desligar?



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